Comunidade

Matriz Nossa Senhora da Conceição Rua Gomes Batista ,102 - Carneirinhos

Quem conta a história da comunidade eclesial de base da sede é Dona Rita Motta Moreira Bicalho, que aqui reside desde os anos sessenta, portanto, bem no início da paróquia.Na década de 60, as festas religiosas, na Comunidade de Carneirinhos, eram bem animadas. O povo participava, com devoção e piedade, das comemorações da Semana Santa, do Mês de Maria, com coroação, barraquinhas e leilões. Havia ainda a festa de Corpus Christi, da Padroeira e de Nossa Senhora do Rosário, essa com participação dos Congados. Várias associações religiosas davam total apoio à Igreja, como o Apostolado da Oração, a Pia União das Filhas de Maria, a Congregação Mariana, a Cruzada Eucarística, a Irmandade do Santíssimo Sacramento e os Vicentinos. O povo conservava a tradição com novenas, presépio, rezando Terço, ladainhas, Ofício de Nossa Senhora, festas de Santo Antônio e São João. Só havia missas nas capelas e fazendas duas vezes ao ano.


O primeiro pároco de nossa comunidade, Padre João Batista Gomes Neto, chegou quando nosso lugarejo ainda pertencia à Diocese de Mariana. Ele terminou a construção da Igreja Matriz e construiu a Casa Paroquial. Nesta época a religião limitava-se ao recebimento dos sacramentos e à freqüência à missa. A missa era em latim, com o padre de costas para o povo, as mulheres cobrindo a cabeça com um véu. O povo não participava da missa, apenas assistia a ela. A igreja era desligada do mundo, era clerical. Os católicos observavam os mandamentos à maneira deles, e tudo bem. A Igreja preocupava-se com a salvação da alma. O catecismo era informativo, apenas decoravam-se as lições. As festas resumiam-se em sermões bonitos, procissões, missas cantadas, Bênção do Santíssimo. Era costume cobrir as imagens durante a Quaresma.


No ano de 1974, chegaram à nossa comunidade os Padres Renato Stormacq, Rafael D’Hondt e Marcos Ockerman. Eles pertenciam à Congregação do Imaculado Coração de Maria (C.I.C.M.). Com eles vieram as Irmãs Francisca, Jane, Paula e Suzie. Essa congregação religiosa foi responsável por uma grande mudança nos trabalhos desenvolvidos pela Igreja. Foram fundadas as comunidades eclesiais de base (CEBs). Dentre as principais mudanças ocorridas, destacamos: maior participação do povo na Igreja/comunidade; os padres passaram a servir à comunidade, trabalhando no meio do povo. Acabaram-se as mordomias;

os leigos assumiram vários ministérios na Igreja; os sacramentos passaram a ser celebrados comunitariamente; iniciaram-se os cursos de preparação para o matrimônio, batismo e crisma. Houve maior preparação e formação de catequistas, as missas tiveram maior participação da comunidade, surgiram os primeiros boletins dominicais; e a comunhão passa a ser distribuída

nas mãos. Todas essas mudanças ocorreram em todas as comunidades de nossa diocese, principalmente em função das reformas do Concílio Vaticano II, mas certamente nossa comunidade foi privilegiada porque as primeiras sementes lançadas em 1974 foram de boa qualidade e encontraram um solo fecundo.


Cinquenta anos se passaram e, hoje, nossa comunidade de igreja está inserida dentro do mundo, empenhada em sua transformação. Há maior conscientização, espírito fraterno, união, maior entrosamento e boa vontade. Há menos católicos de tradição e mais de convicção.

Os leigos atuam nas mais diversas áreas: liturgia, pastoral familiar, vocacional, carcerária, cursos de batismo, catequese de primeira eucaristia, de crisma, ministros dos doentes, da eucaristia, clubes de mães, vicentinos, bem como vários grupos de jovens espalhados por toda a cidade.


Os padres que passaram pela paróquia, cada um com sua característica, dedicaram-se com ardor à tarefa apostólica: Padre João, pioneiro, fazendo a base para funcionar a paróquia; Padre Miranda, implantando o Dízimo; Padre Rafael, com a pastoral familiar; Padre Renato, na pastoral operária e comunidades eclesiais de base; Padre Marcos, na Pastoral da Juventude; Padre Estevão, na luta pelos direitos dos operários, domésticas e lavadeiras;Padre Ernesto, na pastoral da saúde; Padre Antônio, na Pastoral Vocacional e na criação das comunidades; Padre Sebastião, na construção da igreja nova; Padre Afonso, no trabalho com os toxicômanos; Padre Jorge e Padre Taumaturgo, na formação de lideranças e informatização da secretaria; Padre Aloísio e Padre Marcos, na reforma dos templos e no desenvolvimento das comunidades; Padre Ildeo e Padre Renato Cruz, auxiliando em tudo no pouco tempo que aqui passaram. Todos deixaram suas marcas pelas grandes obras que realizaram.


Hoje o trabalho está muito organizado, cada bairro tem o seu Centro Comunitário e/ou sua igreja, e os leigos são preparados através de cursos diversos.As novenas de Natal, a Campanha da Fraternidade e a comemoração do Dia da Diocese merecem estaque. E a gente sente a Igreja de Deus florescendo e rendendo frutos cada vez mais viçosos nesta nossa terra.


 


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