5ª Reflexão da 4ª Semana Eucarística

12 de junho de 2021

4ª Semana Eucarística da Paróquia Nossa Senhora da Conceição – João Monlevade-MG.

Tema: Eucaristia: fraternidade e diálogo compromisso de amor!

Lema: “A fim de que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti” (Jo 17, 20-21).

5 ° Dia – Eucaristia: Mistério da fé e força na caminhada.

Eucaristia é o mistério da fé. Somos chamados a uma atitude de acolhida, de reverenciar o mistério de Deus, da Igreja, da vida. A única forma de fazermos isso é acolhermos no nosso coração e responder com generosidade a Deus, que nos abre os olhos e aquece nosso coração para que possam entender tantos sinais do seu amor e da sua bondade. Uma das características peculiares a que a encíclica de São João Paulo II “A Igreja vive da Eucaristia”: chama a atenção é o valor sacrificial da Eucaristia. No ato do sacrifício como dom total de si mesmo, Cristo expressa ao máximo a sua liberdade. A fé ensina que a Eucaristia é o sacrifício com o qual se renova o único e originário sacrifício realizado por Jesus no Calvário. É o apóstolo Paulo que nos permite focar melhor esta dimensão na base de uma ininterrupta transmissão viva e fiel do mistério: Porque eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o Meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de Mim’. Igualmente também, após a Ceia, tomou o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança no Meu sangue; todas as vezes que beberdes dele, fazei isto em memória de Mim’. Todas as vezes, pois, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha (1 Cor 11, 23-26).

A Santa Missa não é só a evocação do mistério da morte e ressurreição do Senhor; ela é, para todos os efeitos e de maneira plena, o sacrifício de Cristo. Aquilo que muda é só o modo de oferecer-Se, não a realidade do sacrifício. Cada vez que se celebra a Eucaristia, portanto, Cristo oferece-se ao Pai e pede à sua Igreja para se tornar ela mesma uma oferta agradável a Deus. É um sacrifício que revela ao mesmo tempo o Seu amor e a Sua liberdade. Num único ato, torna-se manifesta a obediência do Filho ao Pai; afirma-se a sua natureza como Filho enviado para tornar visível o amor do Pai e torna-se evidente a Sua liberdade de querer dar-Se inteiramente, sem nada receber em troca, como instrumento de reconciliação dos homens com Deus. O amor de Jesus na Eucaristia está no próprio sinal que Ele institui: no cenáculo, durante a última Ceia, Ele traça numa síntese irrepetível aquilo que Lhe acontecerá poucas horas depois, a Sua morte e ressurreição como último sinal do amor com que Deus ama (cf. Jo 3, 16).

Um filósofo ateu disse: “O homem é aquilo que come”. Ele queria dizer que não há diferença qualitativa entre matéria e espírito. Com este pensamento, sem o saber, ele estava dando a melhor formulação para um mistério cristão. Graças

à Eucaristia, o cristão é verdadeiramente aquilo que come. São Leão Magno dizia: “A nossa participação no Corpo e Sangue de Cristo faz-nos ser aquilo que comemos” (Sermão 12, sobre a Paixão, 7). O Cristo que vem a mim na comunhão é o mesmo Cristo indiviso que vai também à pessoa que vive ao meu lado. Unindo-nos a Si, Jesus nos une uns aos outros. “Unidos na fração do Pão” (At 2,42). Em sua Encíclica DEUS CARITAS EST, o Papa emérito Bento XVI assim se expressa: “… na comunhão sacramental, eu fico unido ao Senhor como todos os demais comungantes: ‘Uma vez que há um só pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão’ (1Cor 10,17). A união com Cristo é a união com todos os outros, aos quais ele se entrega. Eu não posso ter Cristo só para mim; posso pertencer-lhe somente unido a todos aqueles que se tornaram ou se tornarão seus. A comunhão tira-me para fora de mim mesmo projetando-me para ele e, desse modo, também para a união com todos os cristãos. (…) Na comunhão eucarística está contido o ser amado e o amar, por sua vez, os outros. (…) do contrário a eucaristia seria fragmentária”.

Mistério da fé: com esta exclamação pronunciada logo a seguir às palavras da consagração, o sacerdote proclama o mistério celebrado e manifesta o seu enlevo diante da conversão substancial do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor Jesus, realidade esta que ultrapassa toda a compreensão humana. Com efeito, a Eucaristia é por excelência mistério da fé: É o resumo e a síntese da nossa fé. A fé da Igreja é essencialmente fé eucarística e alimenta-se, de modo particular, à mesa da Eucaristia. A fé e os sacramentos são dois aspectos complementares da vida eclesial. Suscitada pelo anúncio da palavra de Deus, a fé é alimentada e cresce no encontro com a graça do Senhor ressuscitado que se realiza nos sacramentos: A fé exprime-se no rito e este revigora e fortifica a fé. Por isso, o sacramento do altar está sempre no centro da vida eclesial; graças à Eucaristia, a Igreja renasce sempre de novo! Quanto mais viva for a fé eucarística no povo de Deus, tanto mais profunda será a sua participação na vida eclesial por meio duma adesão convicta à missão que Cristo confiou aos seus discípulos. Testemunha-o a própria história da Igreja: toda a grande reforma está, de algum modo, ligada à redescoberta da fé na presença eucarística do Senhor no meio do seu povo.

O pão que Eu hei de dar é a minha carne que Eu darei pela vida do mundo (Jo 6, 51). Com estas palavras, o Senhor revela o verdadeiro significado do dom da sua vida por todos os homens; as mesmas mostram-nos também a compaixão íntima que Ele sente por cada pessoa. Na realidade, os Evangelhos transmitem-nos muitas vezes os sentimentos de Jesus para com as pessoas, especialmente doentes e pecadores (Mt 20, 34; Mc 6, 34; Lc 19, 41). Ele exprime, através dum sentimento profundamente humano, a intenção salvífica de Deus que deseja que todo o homem alcance a verdadeira vida. Cada celebração eucarística atualiza sacramentalmente a doação que Jesus fez da sua própria vida na cruz por nós e pelo mundo inteiro. Ao mesmo tempo, na Eucaristia, Jesus faz de nós testemunhas da compaixão de Deus por cada irmão e irmã; nasce

assim, à volta do mistério eucarístico, o serviço da caridade para com o próximo, que consiste precisamente no fato de eu amar, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem conheço sequer. Isto só é possível realizar-se a partir do encontro íntimo com Deus, um encontro que se tornou comunhão de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento.

Todos estamos sofrendo com esta Pandemia, mas os que mais sofrem meus irmãos são os pobres: aumento do número das pessoas em situação de miséria, perda de emprego, vagas de emprego diminuindo com a quebra de empresas, ausência de condições para precaver-se contra o contágio, etc. A Igreja, mãe que sempre busca atender os pobres, necessitados e vulneráveis continuará a ser interpelada no seu cuidado pelos últimos da nossa sociedade. A solidariedade é fundamental neste contexto. São João Paulo II dizia que a solidariedade “Não é um sentimento de vaga compaixão ou de ternura superficial pelos males de tantas pessoas próximas ou distantes; pelo contrário, é a firme e perseverante determinação de trabalhar para o bem comum, isto é, para o bem de todos e de cada um, a fim de que todos sejam verdadeiramente responsáveis por todos”. Neste caminho, é preciso envolver todos os atores da vida de uma sociedade: poderes públicos, mundo empresarial, meios de comunicação, instituições educacionais, ONGs, cada cidadão. É preciso, de imediato, assistir aos pobres, pois quem tem fome não pode esperar. Porém, parece-nos que neste momento é preciso algo mais, é necessário colocar nossas estruturas a serviço e criar parcerias que possam ajudar as pessoas a serem sujeitas da própria história. Junto com o SEBRAE, ou outras instituições, é preciso apoiar pequenos cursos que ajudem as pessoas a criarem seu negócio, a serem um pouco mais profissionais naquilo que já estão fazendo ou que poderão vir a construir. É preciso apontar caminhos e dar meios para que as pessoas possam ser sujeitos da própria história. Nesta grande crise que abateu a todos, é preciso ir além dos discursos, além do assistencialismo, pois “o pensamento social da Igreja é primariamente positivo e construtivo, orienta uma ação transformadora e, nesse sentido, não deixa de ser sinal de esperança que brota do coração amoroso de Jesus Cristo”.

Enfim, a Igreja deve ser portadora da grande Esperança que nasce da fé, tanto para o nosso amado povo como para a vida da sociedade inteira. Cristo Morto e Ressuscitado é a grande razão da nossa esperança, e “devemos estar sempre prontos a dar razão dela a todo aquele que nos pedir” (1Pd 3,15). Como nos pede o Papa Francisco: “não deixemos que nos roubem a esperança!”. O anúncio de Jesus Cristo tem que ser portador de Esperança. A Esperança Cristã se fundamenta na memória de Cristo. A ressurreição de Cristo nos diz que Ele não se encontra mais entre os mortos, e que, portanto, a força deste mundo mortal foi rompida. O cristianismo primitivo fundava sua fé não sobre uma reconstrução científica do Jesus histórico, mas na escuta da viva proclamação

do Senhor morto e ressuscitado. Este foi o grande anúncio daquele primeiro dia da semana: Ressuscitou, não está mais aqui!

O Senhor instituiu o Sacramento no Cenáculo, circundado pela sua nova família, pelos doze apóstolos, prefiguração e antecipação da Igreja de todos os tempos. Neste Sacramento, o Senhor está sempre a caminho no mundo. Este aspecto universal da presença eucarística sobressai na procissão da nossa fé e participação ativa no seu mistério. Nós levamos Cristo na Eucaristia pelas ruas de nossa cidade na próxima quinta-feira. Nós confiamos estas estradas, estas casas a nossa vida quotidiana à sua bondade. Que as nossas estradas sejam de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele! A nossa vida de todos os dias esteja penetrada da sua presença. Com este gesto, colocamos sob o seu olhar os sofrimentos dos doentes, a solidão da crianças, dos jovens e dos idosos, as tentações, os receios toda a nossa vida, em especial a certeza de um tempo novo de paz, unidade e fraternidade, tão importante e necessário nestes tempos sombrios. A Quarta semana Eucarística pretende ser uma bênção grande e pública para a nossa Paróquia: Cristo é, em pessoa, a bênção divina para o mundo o raio da sua bênção abranja todos nós!

 

Pe Marco José  de Almeida

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